sexta-feira, abril 06, 2012

Uma nova realidade


-Oi Luana! -eu disse-
-Oi Bella, estou ligando para saber quando você vem para casa. -ela disse-
-Ah, claro. Pode vir nos buscar. -eu disse-
-Não, deixe que Patrick e eu levamos vocês para casa, está bem? -Brandon pediu, não tive como negar, ele parecia um bebê pedindo algo, eu assenti-
-Tia, não precisa vir nos buscar, já estamos indo. Um amigo nosso vai nos levar, tudo bem?
-Tudo bem, mas venha agora, está bem? 
-Tudo bem, Tchau.
-Tchau.
  Desliguei e fomos procurar os outros, nos despedimos e entramos no carro com Patrick e Melany, durante o caminho eu e  Brandon não parávamos de nos olhar intensamente. Estávamos juntinhos, ele sussurrava lindas frases em meu ouvido me deixando arrepiada. Algumas eram "Seus lábios são tão doces.." outras eram alguns versos de poesias, não me lembro de ter as escutado em nenhum lugar, outras eram lindas frases "É como ser atingido por um relâmpago, as chances de encontrar alguém como você é uma em um milhão" esta foi a frase que mais me encantou. Eu selei nossos lábios após ele dizer estas belas palavras.

  O carro parou em frente minha casa e eu desci, ele abriu a mala e pegou um enorme urso de pelúcia.
-Este é o seu presente! -ele disse sorrindo, era maior do que eu-
-Ele é lindo. -ele era um urso branco com uma laço vermelho envolvendo seu pescoço- Eu amei. -eu disse o abraçando- Obrigada.
-De nada, ele só não é tão lindo como você. -ele disse me fazendo corar-
-Ele é lindo e se torna perfeito por você ter me presenteado. -eu disse, dei um beijo no canto de sua boca e entrei em casa com Melany-
  Ela iria dormir na minha casa hoje, nós entramos e minha tia logo perguntou sobre o enorme urso sendo carregado por mim.
-De que é esse urso? -minha tia perguntou-
-Da Bella! -Mel disse- Não é lindo?
-É sim! Ganhou?

-Sim. Vou guardá-lo, Mel, me ajude por favor? -eu pedi subindo as escadas-
-Claro, Melany me ajudou a subi-lo.
  Chegamos em meu quarto e eu o coloquei ao lado de meu guarda-roupa. Deitei em minha cama e fiquei olhando para o teto, fechei meus olhos e só imaginava nosso beijo, o sorriso dele, suas palavras.. Tudo! Eu ainda podia sentir o doce sabor de seus lábios, a suavidade de seu toque, suas palavras ditas ecoavam em minha mente..
-Bella? -Mel me chamou se sentando no canto da cama-
-eu abri meus olhos e sorri para ela- Sim?
-ela riu de leve- Vocês se beijaram?
-Sim! -meu sorriso aumentou-
-Como foi?
-É difícil dizer.. -e era mesmo-
-Pode tentar!
-Tá.. Foi maravilhoso, eu não sei dizer, ele foi tão doce, tão sincero e apaixonado. Ele me deixou sem fala.
-Mel estava com os olhos brilhando- Vocês estão apaixonados! -ela afirmou sorrindo-
-eu ri dela- E você?
-O que quer saber?
-O quer me contar? -eu não queria pressioná-la a nada, ela poderia me contar o que quisesse-
-ela sorriu- Nos beijamos.. Algumas vezes. Conversamos bastante, Bella ele é maravilhoso. Me sinto segura quando estou com ele. -ela disse com os olhos brilhando-
-Está apaixonada! -eu disse como ela e rimos-
-Como isso é possível, acabamos de nos conhecer..
-Não sei. Amor a primeira vista, talvez. Isso realmente importa?
-Tem razão. Não importa.
-Vamos dormir? -perguntei-
-Se conseguirmos. -rimos-
  Tomamos banho e fizemos nossa higiene, nos deitamos para dormir, mas só conseguíamos conversar sobre nossa noite e sobre eles. Nos perguntamos se eles estavam pensando em nós também. Mel e eu conversávamos sobre nosso passado agora.
-E os seus pais? -Mel me perguntou me trazendo lembranças e algumas lágrimas aos olhos-
-Bem.. -eu limpei as lágrimas antes que começassem a cair- Meus pais morreram em um acidente de carro. -eu disse num tom baixo, estava tentando não chorar-
-Sinto muito, você tinha quantos anos? -ela me perguntou, eu consegui conter as lágrimas-
-14 anos. Meus pais se foram a alguns meses atrás.. -eu sussurrei-
-Ah Bella, me desculpe. Sinto muito. -ela me abraçou-
-Tudo bem, eles estão bem agora. -eu disse tentando me convencer-
-Estão sim! -ela disse- Se não quiser fala deles, tudo bem.
-Não, eu amo falar deles, mantem as lembranças mais próximas de mim e as lembranças me deixam feliz de uma certa forma.
-Eles deveriam ser ótimas pessoas!
-Eram sim, meu pai era incrível e minha mãe também. Ela parecia uma rainha! -eu sorri me lembrando dela- Tudo o que ela fazia era admirável, ela era tão delicada, tão perfeita, tanto por dentro quanto por fora. Meu pai era muito especial, intelectual e muito engraçado. Fomos o que muitos chamariam de família perfeita, mas eu só via uma família feliz.
-Pelo que você descreve eram mesmo. Sente muita falta deles, não é?
-Muita. Todos os dias, todos os momentos.
-Bella, seja onde eles estiverem, eles estarão bem e com certeza estão orgulhosos pela filha que criaram. Sei que eles querem ver você feliz!
-É. -é fácil dizer quando você não está sentindo-
-Vamos dormir. Boa noite!
-Boa noite!



JENNIFER NARRANDO
  Cheguei em casa e minha mãe encontrava-se jogada no sofá da sala, parecia estar completamente embriagada. Ela passara mais uma noite pelos bares. Nossa casa parecia ter sido invadida por animais, estava tudo revirado e alguns vasos de vidro destruídos.
  A televisão estava ligada, mas ela dormia. Ela estava apenas de roupas íntimas rasgadas, ela estava encolhida. Estava arrepiada de tanto frio. Tranquei a porta da sala e fui até meu refúgio, como gosto de chamar meu quarto, peguei uns lençóis e voltei a sala. A cobri e fui até a cozinha, lavei as louças que se acumulavam na pia e depois as guardei. 
  Arrumei toda a cozinha, que não era tão grande, e fui para meu refúgio. Sentei na mesa de meu computador e o liguei. Fui checar meus e-mails e lá tinha um de minha tia. Ela era irmã de minha mãe, pois meu pai eu não conhecia. Ele me abandonou antes mesmo de eu nascer e nunca mais voltou.
  Ele disse não querer filhos e mesmo assim minha mãe não me abortou, ele disse que se ela não se livrasse de mim ele iria embora, ela disse que assim que eu nascesse ela me largaria em um orfanato. Ele concordou com a ideia, mas foi embora assim que descobriu que era mentira. Minha mãe fingira aquilo só para tentar convencê-lo.
  Ele disse que não me amava e que não amava minha mãe, que arrumaria uma vadia na qual ele pudesse "se divertir" e não ter responsabilidades, como um filho.
  Ele foi embora e nunca mais voltou, minha mãe me gerou e depois entrou em depressão. Quando ela melhorou ela não queria saber de mim, minha tia cuidou de mim durante minha infância, quando completei 9 anos eu vim morar com minha mãe, foi uma escolha minha.
  Ela vive me culpando por meu pai ter a deixado, diz que se eu não existisse ela seria feliz e preferia que eu não tivesse nascido. Vive bebendo e sempre volta para casa sem calcinha. Hoje fora um milagre ela estar de roupas íntimas. A casa revirada e vidros quebrados significa que ela se exaltou novamente. Depois de quebrar as coisas ela deve ter chorado e dormido, como sempre faz..
  Ela fica com homens na rua e volta embriagada para casa, teve um tempo que ela fez isso por dinheiro. Ela não vendia seu corpo, mas após as relações sexuais eles compravam algumas coisas para ela ou pagavam bebidas. Ela dizia aproveitar a noite e ainda ganhar por isso. Era deprimente vê-la dizer estas coisas. Ela sai com caras mais jovens ou mais velhos, já saiu até com garotos próximos a minha idade.
Já me deixou muitas noites sozinha, com medo. 
  Mas no fundo sei que isso não é por mal, lá no fundo existe uma mãe que me ama muito e está louca para cuidar de mim, mas infelizmente o orgulho, a magoa e outros sentimentos a mantém em cativeiro lá dentro.
  Abri a mensagem que minha tia enviara para mim:
"Olá meu bem, como está?
Como vai a escola? Está tirando boas notas? Ser a líder de torcida está lhe dando muito trabalho? Como vão as amizades?
Bom, aqui está tudo bem, seu tio e eu estamos com saudades. Ele lhe mandou um abraço. Vamos viajar em breve e só voltamos daqui a 4 dias. Se quiser ir conosco é só avisar, está bem?
Sei que as coisas podem não estar indo bem, mas você tem a nós e pode voltar quando quiser, as portas estarão sempre abertas. Além do mais você tem o Brandon. Como vai o namoro de vocês? Me conte tudo! Beijos de seus tios que te amam! "
"Como vai o namoro de vocês?" Fechei minha mão em punho ao ler esta frase, meus olhos estavam fechados e minhas mão fechadas na frente de meus olhos. Esperei me acalmar para responder.
"Olá tia, estou como sempre.. Indo. E vocês? 
Eu também sinto falta de vocês. Muita! As coisas realmente não estão fáceis por aqui. Hoje ela chegou cedo em casa, mas só estava de roupas íntimas e elas estavam rasgadas. Ela parecia embriagada como sempre, acho que nunca a vi sóbria ou está bêbada ou está de ressaca. 
Estou indo bem na escola, minhas notas permanecem alta. E não, ser líder de torcida não está me dando trabalho, rs.
Eu só tenho vocês ao meu lado agora. Brandon e eu terminamos, mas não por muito tempo. Vou lhe explicar direito:
Eu e ele estávamos juntos, mas assim que as aulas voltaram ele começou a me evitar. Depois de um dia de aula ele faltou a escola, eu liguei muitas vezes para ele, mas ele nunca me atendia, depois de um tempo desligou o celular. Eu mandei várias mensagens e até fui na casa dele, mas a imbecil da avó dele dizia que ele não estava. Odeio aquela velha.
Ele voltou a escola, perguntei várias vezes o que houve, ele teimava a dizer que não sabia o que estava acontecendo. Fomos todos embora e ele me mandou uma mensagem dizendo para nos encontrarmos no restaurante do hotel da avó dele. Me arrumei e fui, lá nós terminamos.
Eu tenho certeza absoluta que ele só terminou comigo porque chegou uma garota nova, a Isabella. Ela é ridícula, me odeia. Na educação física ela me deu uma bolada. Ela queria roubar o Brandon de mim, ela quer competir comigo. Ela roubou o Brandon de mim, mas ele me ama e eu o amo, nós vamos voltar.
Obrigada tia, por me "ouvir" e sempre se preocupar comigo. Eu estou indo dormir agora, amo vocês!"
  Enviei o e-mail e desliguei o computador, peguei meu pijama e fui me banhar. Entrei no banheiro, me despi e entrei no box. A água era morna, fiquei embaixo do chuveiro durante um tempo. 
  Estava pensando no dia de hoje. Ele sente ciúmes do Dylan com a ruivinha e Dylan demonstra interesse por ela. Vou usar isso a meu favor, amanhã eu vou conversar com Dylan sobre isso. Seria perfeito, Dylan deixaria Brandon com ciúmes o que faria com que a ruivinha e ele brigassem. O ciúmes e a briga não o deixaria pensar e é aí onde eu entro e acabo de vez com esse namoro. 
-Você será meu e só meu. -disse em voz alta e sorri em seguida, satisfeita com meu plano-
  Terminei meu banho, vesti meu pijama e fui me deitar. Dormi completamente feliz e ansiosa com o meu infalível plano. Só bastava fazer a cabeça de Dylan o que seria fácil, ele é meio bobinho e está apaixonado, um alvo fácil.
  Dormi imaginando meu plano..
  Meu despertador me acordou e eu fui me arrumar, fiz minha higiêne matinal e me banhei. Saí do banheiro e fui procurar uma roupa. Vesti um short jeans e uma bata de mangas curtas branca transparente e um sutiã rosa. Vesti um casaco preto e uma sapatilha.
Meu cabelo ficou solto em um estilo um pouco bagunçado, coloquei um cordão prata grande e um menor, pus pulseiras e relógio no braço. Passei maquiagem e peguei minha bolsa.
  Fui para cozinha e preparei meu café da manhã, cereal. Comi e minha mãe não estava em casa, olhei a sala e ela também não estava lá. Terminei meu café e lavei minha tigela, quando ia sair minha mãe aparece, ela usava uma camisa branca larga e antiga e um short preto. Seus olhos estavam borrados de rímel, com certeza ela chorou.
-Como está?
-Melhor quando você sair. -ela respondeu seca-
-Tem comida na geladeira que preparei ontem antes de sair, é só esquentar no microondas. -disse não mudando o tom de voz, eu apenas ignorei seu comentário, ela não respondeu- Poderia ao menos me desejar um bom dia.
Ela virou para mim fria e voltou a olhar a televisão. Revirei os olhos e ia saindo de casa.
-Espere. -me virei para ela- 
-Sim?
-Por que terminou com o Brandon?
-Como sabe disso? -ela me olhou sem nada dizer, suspirei derrotada, ela não diria o porquê- Não terminamos, apenas tivemos uma discussão, mas já vamos nos resolver.
-Aposto que ele enjoou de você, depois de tanto brincar perdeu a graça. -ela disse e riu debochada- Quem será o próximo a brincar? -ela voltou a rir-
  Aquilo me atingiu, eu sai de casa com lágrimas aos olhos, não chorei a rua não era um bom lugar para chorar.
  Fui para escola correndo, ela era próxima da minha casa, chegando lá entrei pelos fundos e fui diretamente ao banheiro. Lá eu desabei, a essa hora ninguém ia lá, era só eu e o espelho. Chorei apoiada na pia e depois levantei meu rosto. Minha maquiagem estava borrada, meu rímel estava espalhado pelo meu rosto. 
  Dei um nó em meu cabelo e levantei as mangas de meu casaco, lavei meu rosto e o fitei diante ao espelho. Eu lembrava dos últimos dias de sofrimento e da dor que minha mãe me causou ao dizer aquilo, o que ela achava que eu era?
  Olhei para meu pulso e ele estava sem marcas, a muito tempo eu não me feria. Tirei minhas pulseiras e peguei uma lâmina pequena que deixo em minha bolsa. Eu já havia feito isso antes, a tempos atrás, eu via alguns casos na televisão e na internet que algumas pessoas faziam para tentar se matar e outras para simplesmente aliviar-se de tanta dor..
  Na primeira vez que fiz ajudou e depois eu fiquei muito arrependida, mas agora me cortar era a única coisa que se passava na minha mente.. 
  Passei a lâmina em minha pele, ela estava afiada. No momento do corte senti um alívio enorme, a dor de meu pulso substituía a dor que eu sentia por dentro. Era como se toda a dor que eu sentia fosse embora através do corte.
  O sangue em meu pulso estava ficando mais intenso e o desespero começou a aparecer. Na primeira vez em que me cortei não saiu tanto sangue, eu olhava para meu pulso, mas não me movi, no fundo aquilo não me incomodava. Caíram algumas gotas de sangue no chão e eu saí daquele transi, levei meu braço até a pia e abri a torneira.
  A água gelada fez o ferimento arder um pouco, lavei o ferimento e minha lâmina. Guardei minha lâmina e fiz um curativo em meu braço. Ir até a enfermaria seria tolice, elas ligariam para minha mãe e ela não iria se importar, eles iriam me levar a especialistas.. Não. Eu não faria isso.
  Terminei meu curativo e limpei o sangue que derramei, olhei para meu curativo e coloquei minhas pulseiras, cobri meu braço com o casaco e retoquei minha maquiagem. Saí do banheiro e fui para a entrada da escola, o sinal ainda não havia tocado. Me juntei as meninas que me procuravam e ficamos conversando.
Estava ansiosa para o intervalo. Eu falaria com Dylan hoje.
FIM DA NARRAÇÃO DE JENNIFER

Continua...

Respondendo aos comentários:
Brunna Ramos: Own, que bom que gostou, espero que tenha gostado desse também ^-^ Desculpe por te assustar, rsrs. Dedico esse capítulo a você como um pedido de desculpas, haha.

4 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. KK. Obrigada, nossa esse seu capítulo tá muito bom. adorei, agora entendi o porque da Jennifer ser tão chata e cobra e tudo mais. ~Ansiosa para ler a continuação~ .

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  3. Meu Deus! A Bella está literalmente apaixonada!
    Caracaaaaaaaaaa
    Lindos!

    Mesmo que Bella estivesse solteira, nem seria mal - uma amiga como a Melany vale por 10 namorados, 20 admiradores e 5 Romeus. Ela é uma amiga pra NINGUÉM botar defeito, só tô dizendo!


    Cara, to com muita, muita pena da Jennifer. deve ser duro pra ela. Pelo menos a mãe dela é diferente daquela mãe desgraçada do Brandon, que quase abortou!
    Mas ainda sim, não cuidar mais da filha é falta gravíssima! Meu Deus!
    A tia da Jenny tb é legal. Como se misturasse a avó do Brandon e a tia Luana!
    Beijos!
    eSTÁ UMA HISTORIA LINDA!

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  4. Odeio o fato de a mãe dela ser assim.
    Odeio o fato de ela se cortar.
    Não julgo Jennifer por ser nojenta com a Bella, pois sua mãe é pior.

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