Uma Nova Realidade
-Bom, eu vou chamar o doutor Henrique para liberá-la. -ela disse para mim e minha tia, nós assentimos e ela se foi--Nós vamos para casa! -titia disse satisfeita- Tenho uma boa notícia, vamos nos mudar! -ela disse rápido e sorrindo, mas os olhos tristes desde que a vi-
-O QUE? -eu perguntei incrédula, de repente gritando, me assustei com meu tom de voz, mas como assim vamos viajar?-
-Bem..
-Olá senhorita Isabella Andrews e senhora Luana Andrews -ele disse olhando o crachá de identificação do hospital, depois sorriu para titia e olhou para mim sorrindo-
-Como se sente agora? -ele me perguntou examinando os aparelhos que estavam ao meu lado-
-Morta. -eu respondi sincera e friamente, titia me olhou com um olhar de reprovação, mas eu não me importei-
-Bem, não é o que dizem seus diagnósticos senhortia. -ele disse ainda de bom humor, esse humor dele estava me incomodando-
-Bem, esses aparelhos não podem ver minha alma, nem meu coração doutor, muito menos ver o que se passa em minha mente. Então, não. Eu não estou bem, estou morta. -eu disse friamente e o fuzilava com os olhos, seu sorriso não desaparecia de seu rosto- Tem alguma piada? Não, pro senhor estar assim sorrindo tanto só deve ter algum palhaço por aqui. -agora eu estava com raiva, como todos conseguem estar felizes? Uma voz susurrou em minha mente: Ninguém tem culpa por sua perda. Olhei para titia e ela estava me olhando com reprovação- Me desculpe.
-Tudo bem, eu entendo, perder os pais não é fácil.
-Como sabe?
-Eu também perdi os meus quando tinha mais ou menos sua idade. -quando ele disse isso senti um arrependimento tomando conta de mim, ele sabia o que eu estava passando e ele já viveu isso- Você se sente perdido e sem chão, você não vê saída e só quer chorar, morrer ou trazê-los de volta. -ele olhava para meus olhos me deixando mais arrependida pelo que havia falado, ele descrevera minhas sensações, tudo o que eu senti até agora- E de repente você vê os outros bem e se pergunta o porquê de tanta felicidade se você só encontra desgraça e tristeza te rondando, mas você tem sua tia, o que é uma grande sorte. Comigo não foi assim, eu estava sozinho. Tive muito sofrimento e muitas complicações. Não se preocupe, isso passa, tudo vai melhorar. Parece mentira não é?
-É, parece. -eu confessei, parecia mesmo mentira-
-Mas acredite em mim, isso passa, você vai vendo que existe uma luz no fim do túnel e você vai escapando desses sentimentos que no momento estão te sugando para um vazio profundo. Acredite em mim, as coisas vão melhorar. -eu assenti com a cabeça, eu acho que consegui acreditar nele- Bem, você está livre, já pode sair do hospital. Sua alta está assinada e a Enfermeira Beatriz, a que veio aqui vai te ajudar a se livrar disso. -ele disse apontando os aparelhos- Vou precisar que a senhora assine alguns papais para levá-la. -ele disse olhando para titia agora, ela assentiu, ele apertou o botão e a enfermeira veio, ele deu as ordens e a enfermeira veio cuidar de mim e eles dois se foram-
Ela me ajudou a levantar e me levou até o banheiro do quarto do hospital, lá havia uma roupa minha, uma calça jeans skinning preta e uma blusa branca de mangas, com uma sandália ao lado e minhas roupoas intimas. Olhei para o tempo, tentando não me desapontar com a alegria que ele transmitia, mas para minha surpresa o céu estava com umas nuvens carregadas de chuva e o sol estava sendo coberto pelas nuvens. Assim como deveria estar desde quando acordei.
-Pode deixar que eu mesma me banho, obrigada! -eu disse a enfermeira, ela assentiu e me deixou sozinha-
Tirei aquela roupa desagradável e entrei no box, a água estava razoável, nem fria nem quente, fiquei embaixo do choveiro durante uns 20 minutos só fitando a parede. Fechei meus olhos, mas imagens atormentáveis e desagradáveis invadiram minha mente causando-me tristeza e fazendo as desagradáveis lágrimas voltarem. Decidi não limpa-las, afinal a água faria esse trabalho, mas eu não iria segurá-las eu choraria, precisava disso, não poderia guardar lágrimas e pensamentos que me atormentariam pelo resto de minha vida, já basta a dor que o vazio dentro de mim me cauzava, eu não precisaria adicionar mais dores em mim.
Me ensabuei e saí do banho, me sequei e me vesti caumamente. Me penteei e saí do banheiro, logo que saí avisto titia sentada na cama me fitando com o mesmo olhar afetuoso e gentil de sempre. Aquele olhar era adimirável, consigo me sentir melhor só com a presença e seu jeito, mas isso não causava o mesmo efeito de antes, minimizava um pouco mas a dor era grande e minimizá-la não era o suficiente.
- Vamos querida? -titia me perguntou se levantando e vindo a minha direção, apenas assenti olhando para o chão-
-Tia, podemos nos despedir do doutor.. do doutor.. -eu não me lembrava de seu nome, na verdade eu nem perguntei, só pensei em julgá-lo e mais nada-
- Doutor Herique. -informou-me titia- Sim querida, nós podemos nos despedir dele sim. Bem ele pediu para nós irmos nele antes de sairmos do hospital mesmo.
Fomos até a recepção do hospital e uma secretária, arrumada de um jeito inapropriado para trabalhar no hospital, na verdade estava de um jeito inapropriado para qualquer coisa. Ela usava uma roupa colada ao corpo, sua blusa era muito decotada, seu cabelo era longo, até sua cintura, era preto e mal penteado, ela usava uma franja na testa, suas unhas estavam pintadas de um vermelho vívido e com brilhos. Concerteza ela não deveria estar aqui. Me perguntei o porquê dela estar trabalhando em tal local e por quê ela não usava o uniforme do hospital. A resposta voou em minha mente: A "namoradinha" do chefe, concerteza ela era algo do tipo.
-Ele está na cafeteria. -disse a recepcionista vulgar, sua voz era aborrecedora, uma voz desagradável-
-Obrigada. -disse titia, eu nem se quer sorri para ela-
Avistamos o doutor Henrique e fomos em sua direção. O surpreendemos ele estava comendo mas olhando atento ao jornal.
-Olá. -nós falamos juntas e ele se virou surpreso-
-Oh, olá meninas. -ele disse e sorriu, agora o sorriso dele não me incomodava, me transmitia uma pequena esperança. Eu disse a mim mesma que quele sorriso era um sorriso de vitória dele e por isso ele nunca o tirava do rosto-
-Bom, nós estamos indo. -disse titia e abaixou o olhar, ele fez o mesmo, foram rápidos mas eu pude ver. Eu perdi alguma coisa enquanto dormia ou enquanto tomava banho?-
-Não quero que volte para cá tão cedo em moçinha, a não ser se for por uma visita. -ele disse brincando tentando disfarçar o olhar que caiu. Não adiantou eu já havia visto-
-Bom, parece que brevemente voltaremos para uma visita. -disse olhando para titia e depois para ele, com um sorriso malicioso brincando no canto de meus lábios-
Titia me fusilou com um olhar de reproovação, então me calei, mas ela iria me explicar essa história e essa mudança.
-Bom, espero que venham mesmo. Vocês estão indo agora mesmo ou preferem esperar um pouco, podem tomar um café comigo. -ele ofereceu, fiz uma careta ao ouvir a palavra café. Não estava com apetite algum e café me deixava enjoada as vezes-
-Na verdade nós temos mesmo que ir doutor Henrique. Nós vamos nos mudar e temos que ajeitar as coisas ainda. Me desculpe, creio que não poderemos repetir o convite. -disse titia se desculpando-
-Por favor, somos amigos me chame de Henrique, Luana! Vão se mudar, isso é bom. Para onde vão? -ele perguntou educadamente, como assim amigos?-
-Oh, nós vamos para Atlanta.
-Nossa, Atlanta é lindo. Tenho um primo que mora lá. Vocês vão gostar de lá.
-Na verdade nós já fomos para lá quando Isabella tinha uns 5 anos. Ficamos lá durante dois anos e depois voltamos.
-Bom, então divirtão-se. -ele disse com um sorriso sincero-
-Venha nos visitar doutor. -eu disse, aquilo ia deixar titia feliz, afinal eles eram amigos-
-É, você pode ir se quiser. -complementou titia-
-Obrigado pelo convite.
-Não há de quê, só assim poderemos tomar o café. -disse titia dando uma risadinha-
-Oh, sim. -ele também riu, eu permaneci séria e agora com os braços cruzados abaixo do peito-
-Bom, nós já vamos. Foi um prazer revê-lo Henrique. -titia disse e se despediu-
-O prazer foi todo meu Luana. -ele disse sorrindo- Adeus Isabella, espero que as coisas melhorem para você. -ele disse sorrindo-
-Obrigada. Adeus Doutor Henrique.
-Só Henrique. -ele sorriu-
-Certo, obrigada Henrique. -disse por fim e me despedi-
Continua...

Nossa, descreveu bem até a recepcionista vulgar!
ResponderExcluirCara, sua escrita é um dom raro! E não, eu não me canso de dizer isso!