quinta-feira, janeiro 19, 2012

Uma Nova Realidade


  Depois de alguns minutos calada eu fui me controlando e quando vi que já estava calma me desculpei com minha tia e expliquei a situação.
-Nossa, que insensível e interesseira essa sua amiga, hein?!
-Pois é.
-Não a culpo de ter ficado daquele jeito, mas como você disse, não vale a pena!
-Obrigada por me entender e me desculpe de novo. Você não tem culpa de nada e a última coisa que quero é brigar com a pessoa mais importante para mim agora. -disse a olhando e sorri-
-ela sorriu, parecia contente por escutar aquilo- Eu também não.
Ficamos caladas até chegar a casa da minha avó, lá teriamos que falar muito, vovó faria milhares perguntas e choraria muito e vovô a consolaria como sempre.
-Vocês chegaram! -vovó disse com os olhos brilhando para mim e para titia que saíamos do carro-
-Olá vovó! Como a senhora está? -eu sorri e a abracei, ela tinha aquele cheiro gostoso que toda vó tem com um toque de flores-
-Oh meu bem, eu estou indo e você? -ela afastou o abraço e acariciava meu rosto com suas mãos, ela iria gravar meu rosto para lembrar sempre que sentisse minha falta-
-Estou.. -eu não poderia dizer que estava morta para vovó, isso acabaria com a parede que afastada toda aquela dor da perda de um filho que ela criou com tando cuidado, se eu conheço minha vó ela teria feito isso e de onde ela tirou forças para isso? De mim, do meu avô e da minha tia Luana. Mas eu também não posso mentir- Eu estou indo. -Eu tive que mentir. Eu não queria me lembrar do rosto dela morto, queria me lembrar dela feliz-
Ela me abraçou forte de novo. Vovó sabia que não era verdade, mas viu meu esforço para que fosse mesmo isso.
-Mamãe! Como a senhora está? -disse titia andando até nós com seus braços abertos-
Vovó e eu encerramos o abraço e ela abriu um longo sorriso ao escutar a voz de titia. 
-Com licença meu bem, vou ver meu bebê. -eu assenti e fiquei olhando vovó indo em direção a titia com os braços abertos- Minha filha! -elas se abraçaram sorrindo, vovó chorou e titia também-
  Senti minhas bochechas coçarem e quando coloco as mãos em meu rosto me surpreendo com as lágrimas que caiam em meu rosto. 
-Como você está mamãe? -perguntou titia se afastando do abraço, vovó limpous as lágrimas do rosto de titia e depois limpou as dela-
-Eu estou indo minha filha, mas como você está? -disse vovó, ela adimitia triste, seu olhar era triste, mais triste que o de titia afinal perder um filho deveria ser uma dor horrível-
-Também estou indo, mamãe! -disse titia com um olhar triste, o olhar dela pode não ser tão triste como o de vovó, mas era muito, muito triste também-
  Eu olhava aquele encontro de mãe e filha e não pude não lembrar da minha mãe. Era inevitável qualquer coisa me fazia lembrar ela e meu pai, mas ver vovó e titia assim me fez ter uma chuva de lembranças de meus momentos com mamãe, ela me buscando na escola, nós duas na piscina, nós duas tendo um dia de princesa..
  Minhas lágrimas caiam intensamente e titia e vovó me viram chorar, elas vieram em minha direção, só me dei conta de que elas estavam me abraçando quando elas apertaram o abraço e choram também, eu retribui e me entristessi mais por ter estragado aquele momento tão gostoso de mãe e filha.
-Des.. Desculpa tia, perdão vovó. Eu não queria interronper..
-Não, você nunca atrapalha. -disse vovó me confortando-
-Viemos dividir o momento de reencontro com você, afinal faz 2 mêses que você não vem ver a sua avó. -complementou titia-
-Obrigada! -eu disse e nós apertamos o abraço antes de entrar-
  Entramos e a casa estava como da última vez que tinha vindo, o sofá não tinha mudadode posição como costumava ser mudado, não havia móveis ou enfeites novos, apenas fotos de minha família antigamente, papai novinho, mamãe e papai ainda jovens quando eram namorados. O casamento de vovô e vovó. Oh, vovô. Vasculhei com os olhos pela casa toda o procurando, mas não o encontrei.

-Vó, onde está vovô? -perguntei me virando para ela que conversava com titia olhando as fotos-
-Nas roseiras minha querida! -disse vovó sorrindo para mim- Ele vai amar saber que a netinha dele chegou.
-Obrigada! Vou vê-lo. -disse saindo da casa e indo até as roseiras-

  Vovô era um roseiro muito famoso na região. Ele começou vendendo algumas rosas quando mais novo e depois por ter tanto talento para cuidar de rosas tão delicadas e com os estudos ele acabou crescendo sua firma até se tornar o que é hoje. Vovô trabalhou muito para chegar onde está. Me orgulho muito de tê-lo como avô.
  Agora eu estava entrando nas roseiras, mas vovô não deveria estar aqui fora, ele deveria estar na casa de vidro das flores, como eu gosto de chamar, é lá onde ele planta as mais belas rosas. Fui para lá e lá ele estava, ele cuidava de rosas brancas que estavam um lindo vaso, deveria ser para enfeitar a casa. Vovó amava ver a casa com flores. Ele estava bem concentrado, usava uma calça formal e uma blusa elegante, mas sem terno, seus sapatos como sempre eram sapatos de gala, seus cabelos perfeitamente alinhados lembravam-me do penteado de papai.
-Benção vô. -disse me aprossimando e tirando sua concentração das rosas-
-Deus lhe abençoe minha filha! Venha dar um abraço no seu avô! -ele disse soltando o material e brindo os braços-
  Os olhos dele estavam tristes, mas o sorriso no rosto era sincero. Era um sorriso que enrugava o canto de seus olhos. Fui em sua direção e o abraçei fortemente, sem medo de causar algum dano aos seus ossos. Eu sentia falta dele e ele sentia minha falta. 
-Senti sua falta. -disse com a voz apertada e baixa, quase um susurro-
-Também senti sua falta. -respondeu vovô apertando o abraço-

Nenhum de nós sederam o abraço, depois de alguns minutos nos afastamos e pude ver que lágrimas se formavam nos olhos de vovô, mas ele faria o máximo para não derramá-las. Puxei isso dele, chorar sozinha, nunca na frente dos outros, mas ultimamente minhas lágrimas não me alertam quando vão cair, elas simplismente caem sem que eu nem perceba.
-Como o senhor está?
-Como acha que estou? -com vovô eu podia ser verdadeira, ele e eu sempre fomos sinceros um com o outro-
-Quase como eu.
-E como você está?
-Não estou. -com vovó eu nunca poderia falar isso, eu teria que mentir pois isso a levaria a lágrimas e até mesmo ao hospital, vovó era bem dramática e sempre precisou de ajuda para ser forte, mas ultimamente ser forte estava muito longe de eu ser-
-Conte-me, não quero que você sofra sozinha.
-Não quero que sofra por mim, nem comigo.
-ele ficou calado procurando palavras para me convencer a falar, por mais que eu e vovô sejamos sinceros um com o outro, essa era uma dor que eu não queria que ninguém tivesse, ainda mais com ele que sofria muito também, mais dor era desnecessário- Bem, se você compartilhar a sua, compartilharei a minha. Trocaremos os lados.
-É justo. -disse e ele fez sinal para eu proseguir- É horrível vô, parece que eu não tenho chão. Parece que onde eu piso é falso, a qualquer momento pode desabar. E parece que tudo está errado. Vejo pessoas sorrindo, se divertindo e não entendo mais como é isso, parece algo improvável para mim. Amigos? Eu não tenho mais, pensei que e tivesse, mas não tenho. ÉNenhum deles me procuraram, nem me ligaram, bom uma ligou, mas se fosse para fazer o que ela fez era melhor ter feito como os outros. -vovô me olhava confuso- Lembra da Brenda? -ele assentiu-
-É aquela sua amiga que vivia grudada em você, não é?!
-Sim, ela mesma. Então, ela me mandou uma mensagem hoje, disse que "sentia muito" -fiz sinal de aspas com os dedos- e depois já foi me pedindo roupa emprestada para ir a uma festa e disse que iria impressionar o Marcos. Aquele menino que eu gostava, lembra?
-Sim, mas Bella ele poderia ser outro Marcos, não precisa ser o garoto que você gosta.
-Gostava. -eu o corrigi-
-Tá, gostava. Pode não ser ele e ela nunca passou pelo o que estamos passando e espero que não passe tão cedo, Deus a livre.
-Vovô, acredite é ele. Mas isso não convem, não me importo mais com isso e além do mais ela não era minha amiga, ela nunca foi. Ela fingiu ser.
-Se está certa disso eu lhe apoio.
-Obrigada!
-Quer me contar mais?
-eu assenti e prossegui- Eles fazem falta vovô, não poder abraçá-los, não poder  mais vê-los no jantar conversando comigo. Mamãe não pentear meus cabelos como ela sempre fazia antes de eu ir dormir, ela sempre dizia que não importava minha idade ela iria pentear meus cabelos sempre, e não poder ver papai conversando comigo na sala, não podermos assistir filmes como faziamos aos domingos chuvosos. Isso é torturante, sabe, eles sempre estiveram comigo, sempre foram bons pais e eu sempre quis ficar perto deles eu nunca desperdiçava uma tarde ou uma atividade em família. Nós sempre fomos unidos e agora eles se foram. Me deixaram aqui. Desprotegida e insegura, com saudades. Ferida.


Continua...


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