Uma Nova Realidade
Eu chorava agora por dizer aquilo em voz alta, aquela foi a primeira vez que contei o que mais me atormentava, mas ainda não era tudo, tinha coisas que eu não sabia explicar, como a intensidade da saudade e os flashes de lembranças com eles que me faziam cair aos prantos.
Vovô me abraçou e esperou eu me acalmar, nós estávamos sentados nas poltronas da casa de rosas, elas ficavam no final onde as rosas brotadas ficavam.
-Você não está desprotegida querida, está com sua família ao seu lado. Eu, sua vó, sua tia Luana. Todos nós estamos aqui e amigos virão, você vai encontrar amigos verdadeiros. E saudade todos temos, acredite. Sei que está ferida, mas eles não te deixaram. -eu levantei a cabeça e olhei para seu rosto protestante- Eles tiveram que ir, alguém lá em cima disse que a hora deles havia acabado. -ele disse apontando para o céu-
-E me deixou aqui sem eles?
-Isabella, entenda -ele tentava me explicar- você é jovem, ainda tem muito o que viver, seus pais já tinham feito tudo o que deveriam ter feito, imagina se fosse o contrário. Você estivesse ido e eles não. É a sua dor, só que pior. -tentei imaginar como seria, mas imaginar mamãe e papai pior que eu era impossível-
-Não dá para imaginar.
-Pois bem, eles sofreriam mais do que você, sofreriam muito. Essa é a lei natural da natureza. O ser humano nasce, cresce, se reproduz e morre. Seus pais já tinham feito tudo.
-Tem razão.
-Isso ajudou?
-Ajudou e muito. -disse sincera, isso realmente havia me ajudado, antes eu queria ter ido com ou no lugar deles, mas agora entendo que era para eu ficar- Sua vez.
-Não quero que se preocupe comigo Bella.
-Vovô, não adianta falar isso, sempre estarei preocuada e além do mais fizemos um trato. Eu contava se você contasse.
-Não me lembro de ter apertado a mão de ninguém. -eu o olhei com reprovação, isso não era justo, eu queria o ajudar também- Tudo bem. -ele suspirou derrotado-
-Ótimo, conte-me.
-Estou preso. -eu o olhei confusa- Parece uma caixa pequena de emoções desagradáveis. Eu o vejo em tudo, olho para qualquer lugar e ondas de lembranças me afogam. Olho para você e o vejo. Lembro de quando ele me ajudava com as rosas, quando ele corria pela casa. Lembro de tudo. Ele era tão jovem, tão desprotegido ele era meu menino. E ele se foi. Meu menino que eu cuidei, eduquei, meu menininho se partiu.
Eu abraçei o vovô bem forte, quando nos distanciamos ele estava chorando, ele rapidamente limpou suas lágrimas, mas vinham mais e mais então ele as deixou cair, ele colocou as mão no rosto e chorou, chorou muito. Eu abraçei seus ombros e acariciava seus braços. Em toda minha vida eu nunca vi meu avô chorar, ele sempre se manteu forte por causa de vovó. Mas comigo ele não precisava ser forte, ele precisava chorar.
-Não precisa, você precisava chorar. Você não faz muito isso.
-ele riu- É, eu não faço.
-Vovô?
-Sim.
-Ele te ama. Quer que você siga em frente, mas isso não significa esquecê-lo, significa não sofrer por ele ter ido.
-Como sabe?
-Do mesmo jeito que você sabe que ele sente o mesmo por mim.
-Tem razão.
-Isso ajudou? -usei suas palavras-
-Sim. -ele sorriu pelo canto dos olhos-
-Isso é bom, então, vamos voltar? Vovó deve ter preparado o jantar. -eu disse levantando e o chamanado-
-Vamos.
Ele levantou e nós voltamos para casa, conversamos sobre algumas coisas até chegar em casa e o meu assunto favorito era sobre os cavalos, vovô disse que amanhã cavalgariamos. Nós entramos e vovó e titia estavam nos esperando na sala.
-Pensamos que vocês haviam se perdido nas roseiras. -disse titia brincando-
-Nós só estavamos conversando. Não é vovô?
-Sim. O que temos para o jantar?
-Temos espaguete acompanhado com as famosas almondegas da vovó. -disse titia brincando-
-Hmm, que delícia.
-Venham para a mesa. -disse vovó-
Nós fomos para a mesa, comemos e conversamos um pouco. Depois eu fui dormir.
Eu estava em um campo, tinha névoas, eu estava andando, procurando algumas coisa, mas não tinha nada a encontrar. O ar estava leve, no céu haviam lindas estrelas, mas duas me chamavam mais atenção, elas eram as que brilhavam mais. Eu sentei na grama e fiquei as admirando, elas pareciam se aproximar, e se aproximar, e se aproximar mais e mais. Até que elas brilharam muito forte, coloquei minhas mãos na frente de meus olhos, mas não os tampando, fechei um pouco os olhos, mas não totalmente. Levantei e caminhei até onde as estrelas estavam, por que elas caíram? Está errado, estrelas tão brilhantes como elas deveriam estar no céu, sem elas lá o céu não ficava bonito, ficava apagado.
A luz foi diminuindo, eu andei depressa, eu tinha que pegá-las e levá-las para o céu antes que elas apagassem totalmente. A luz ainda estava fraca, mas duas pessoas saíram do local onde as estrelas estavam. Uma mulher com os cabelos loiros acima da cintura, duas mechas estavam presas na parte de trás, seus cabelos ouro estavam em forma de cachos que pareciam ter sido desenhados pelo melhor artista. Ela usava um vestido branco até os joelhos, era um vestido leve com um decote nada vulgar, o vestido parecia ter sido desenhado para ela, seu rosto era lindo e angelical, o homem com seu rosto também angelical usava uma blusa social branca e um terno completo branco, usava sapatos brancos assim como o salto de mamãe, o cabelo dele estava perfeitamente alinhado como sempre, estava lindo.
-Mamãe? Papai? -os reconheci, mas queria ter certeza-
-Filha! -eles disseram juntos-
Corri para abraçá-los, eram mesmo eles.
-Sinto tanta falta de vocês!
-Nós também sentimos sua falta minha filha! -disse mamãe com sua vóz aveludada e angelical-
Eu me afastei do abraço e nós começamos a caminhar pelo campo vazio. Eu estava no meio dos dois, eu abraçava os dois. Havistamos um banco e fomos sentar. Antes eu havia passado aqui e não havia nada além de grama. Mas isso não importa, eu estava com eles.
-E então, como você está? -papai me perguntou com sua voz calma e forte-
-Como acham que estou? Eu estou parada em uma bolha de depressão e não consigo estourá-la.
-Você não está nem tentando Bella. -disse mamãe calmamente-
-Bom, ás vezes eu tento não chorar, mas é preciso.
-Não tente parar, você precisa chorar, alivia a dor. -disse papai, apenas levantei os ombros e depois os abaixei-
-Filha, eu e seu pai já partimos. Você não pode se prender a algo que já se foi, você sempre deve olhar e seguir em frente. -disse mamãe acariciando meu rosto-
-Se vocês foram por que sempre voltam em meus sonhos?
Eles se levantaram e foram caminhando eu os segui em silêncio, esperando minha resposta.
-Precisamos ir.
-Fiquem, eu preciso de vocês. -eu disse aflita-
-Nós já partimos Bella e você tem sua tia e logo que for embora encontrará pessoas maravilhosas, reencontrará um amigo antigo, vai adiquirir esperiências novas.
-Mas não terei vocês.
-Nós nunca te deixamos filha, estamos bem aqui -ela disse colocando a mão em meu coração em seguida beijando minha testa-
-Eu amo vocês. -susurrei para eles-
-Nós também te amamos minha filha, sempre. -eles disseram me abraçaram e se foram-
Fiquei os olhando até que sumissem na neblina que se formava, a neblima começou a me cobrir, ela era uma neblina diferente, ela incomodava minha pele, queimava como o sol, tentei me libertar da neblina, corri para me libertar, sem sucesso. Corri para me livrar dela, mas aparecia mais. Balancei os braços tentando me libertar, mas a neblina aumentava..

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