quinta-feira, janeiro 19, 2012



Uma Nova Realidade




Desliguei o telefone, eu não podia acreditar no que acabara de escutar. 
    Uma lágrima saiu de meu olho esquerdo, logo sai outra no direito e começa a cair incontáveis lágrimas de meus olhos, minha visão ficou falha e eu nada conseguia enchergar por conta das malditas lágrimas que caiam, minha voz desapareceu, minhas pernas falharam, meu corpo perdeu completamente a força, caí ao chão, fiquei ajoelhada com a cabeça quase tocando o chão e mais lágrimas vinham, parecia não ter fim, agora eu soluçava de tanto chorar, meus braços caidos no chão sem nenhuma força. Meu coração estava vazio, não havia nada em minha mente, apenas perguntas sem respostas, como aquilo era possível? Como isso poderia ter acontecido? O que eu fiz para merecer isso?, as lágrimas continuavam a cair, eu queria ser forte, mas eu precisava chorar, eu precisava daquele momento, precisava jogar tudo para fora. De repente tudo ficou escuro. 
    Eu estava em um labirinto com muita névoa, estava correndo para fugir daquele lugar, eu escutava meus pais gritarem: -Filha estamos aqui, venha conosco!, eu tentava responder mas eles não me ouviam e repetiam a frase, continuei a correr, eu precisava encontrá-los, precisava deles ao meu lado outra vez, eu os vi, mamãe com seus cabelos loiros e ondulados acima do quadril, eles estavam soltos, minha mãe estava com um vestido branco até os joelhos, papai estava com um terno e sapatos brancos, estava com o cabelo alinhado e perfeitamente penteado, corri para abraçá-los.
-Vocês não sabem como é bom ver e sentir vocês! -eu estava chorando de alívio e sorrindo-
-Ai minha filha é ótimo vê-la também! -disse mamãe apertando o abraço como o papai fez, eu retribui-
-Venha conosco! -disse papai segurando minha mão e braçando os ombros de mamãe com a outra-
Eu apenas o segui, andamos até uma parede com uma porta de fios preenchidos com flores, atravessamos a porta e nos deparamos com uma estrada, estava clara e vazia, olhei para meus pais sem nada entender, eles sorriram para mim como um; espere minha pequena e continue a olhar. Fiquei curiosa e voltei a olhar a estrada, passava um volvo preto com um casal dentro, olhei mais atenta e eram os meus pais, olhei para eles espantada e eles olhavam fixamente a estrada, voltei a olhar a estrada, o carro andava rápido, mas a estrada estava vazia então não havia problema, olhei em volta e estávamos perto de um penhasco, era uma subida, e eles estavam descendo, papai aumentou a velocidade e eles conversavam tranquilamente, vi um cavalo marrom sair da mata e correr até a pista, ele estava desesperado, pobre animal, estava completamente arranhado, sangrado, ele tentava se livrar da cobra que estava o matando aos poucos jorrando seu mortal veneno sobre ele, destraídos com a conversa papai e mamãe não viram o cavalo saindo e não tiveram tempo de frear o carro, papai desviou o carro e mamãe estava com os olhos arregalados olhando aquela terrível imagem como papai. Ele não percebeu para onde estava indo, o carro estava muito rápido e caiu no penhasco, só conseguia ouvir os gritos deles, fiquei completamente desesperada, larguei a mão de meu pai e fui em direção ao penhasco, parei e olhei para trás, meus pais não estavam mais lá, me desesperei e tentei correr até lá embaixo, mas parecia não ter fim, minhas pernas ficaram pesadas, tudo ficou lento, meu desespero aumentava a cada momento, eu tentava correr mais rápido, mas não conseguia, olhei para minhas pernas e elas pareciam tentar corresponder aos meus comandos, mas sem sucesso, olhei para o carro que estava ainda muito longe de mim, me desesperei mais ainda, eu tentava chamar meus pais mas minha voz tinha sumido, de repente uma luz muito forte tomou conta do lugar. Não enchergava mais nada só um clarão que fazia meus olhos arderem.

Continua...


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