Uma Nova Realidade
Nós fomos em direção ao estacionamento do hospital. O carro de titia estava estacionado logo a nossa frente. Nós entramos e colocamos o cinto de segurança. Ela manobrou o carro e saiu do estacionamento. Eu não disse nada estava esperando ela me falar, mas como vi que isso não iria acontecer decidi começar.
-E então, aonde vamos? -disse tirando titia de seus pensamentos-
-O que? -perguntou agora me olhando-
-Aonde vamos?
-Bem, agora vamos para casa. -ela disse saindo do estacionamento do hospital-
-Sabe do que eu estou falando.
-Já lhe disse no hospital, vamos a Atlanta. Fui transferida e meu chefe disse que eu poderia viajar em breve -ela disse me explicando-
-Mas eu não quero viajar. -eu disse decidida-
-Sinto muito, mas tenho que te levar, você não vai ficar aqui sozinha.
-Mas eu posso viver sozinha. -eu continuava a teimar, não queria viajar-
-Não, você não pode. Vai viver de que?
-Eu arrumo um emprego.
-Com 14 anos? Vai trabalhar em que? Vai estudar aonde?
-Eu vou para uma escola pública se preciso. Existe crianças menores que eu que trabalham.
-Claro que existe, crianças que trabalham nas ruas ou crianças que se vendem. -nós não discutiamos, ela estava em seu tom normal de sempre então não era uma briga, mas ela estava certa- É muita responsabilidade Isabella, você não pode fazer isso.
-Mas eu não quero me distanciar da minha casa, é a única lembrança que tenho dos meus pais.-eu disse triste abaixando a cabeça, lágrimas ameaçaram cair de meus olhos-
-Ah meu anjo, não precisa ficar assim, e além do mais existem mais lembranças como o porta jóias que sua mãe comprou, a bicicleta que seu pai te deu, as roupas que vocês compraram no shopping e ainda tem as lembranças dos momentos que você passou com eles em sua mente -sorri por lembrar daqueles momentos felizes-, sem contar com aquelas fotos que vocês viviam tirando. E tem a lembrança mais importante de todas, a mais especial e preciosa. -eu ergui a cabeça para olhá-la, ela estava sorrindo com ternura- Você. Você é a coisa mais preciosa que eles deixaram aqui. -ela aumentou o sorriso e eu sorri também, eu a abraçei rapido e forte. Ela tinha toda razão. Eu era a própria lembrança deles, afinal existe algo mais precioso onde tem todas as lembranças que tivemos e ainda foi feito por eles com todo o amor? Não, não havia-
-Tem razão.
-Olha, ficaremos por mais dois dias e depois vamos embora, eu pedi para que Marcia ajeitasse as coisas enquanto eu estava no hospital com você. Quase tudo está pronto, só falta as malas com as roupas.
-Tudo bem.
Ficamos em silêncio e começou a chover, as gotas de chuvas e o tempo fechado era um conforto. O tempo estava quase como eu: Frio. Só que o tempo ainda estava quente demais para o frio que eu representava.
-Gostou do Henrique? -titia me perguntou quebrando o silêncio e me interrompendo de meus devaneios-
-O que?
-Gostou do Henrique?
-Por que?
-Nada, só estou perguntando.
-Hmm, sei. É, ele é uma ótima pessoa. Gostei dele sim, mas parece que ele cativou o não só alguém como o coração também. -eu disse a olhando atentamente agora, pronta para ver sua reação-
-ela se acertou no banco do motorista, seu rosto a entregava. Ela concerteza sentiu algo por ele- Bom, nós éramos melhores amigos desde o ensino médio.
-Hmm, só melhores amigos? Não foi o que pareceu. -disse casualmente-
-Eu gostava dele quando estudavamos juntos, mas ele namorava a Jennifer, uma garota da aula de trigonometria. Ela já foi líder de torcida no ensino médio, sabia?
-Hmm e você tinha ciúmes dela com ele. Entendi.
-Não era exatamente assim, eu gostava muito dele, mas ele não demonstrava o mesmo. Aí a Jennifer e ele começaram a namorar e ficaram juntos até a faculdade, ele a viu o traindo com seu amigo, o que não foi a primeira vez, e terminaram o namoro. Mas eu já não falava mais com ele, ele tinha mudado e acabou me afastando dele sem perceber.
-Nossa, que bela história. Dá para fazer um filme. E agora ele quer encherga que você é o amor dele e ele te quer?
-Boba, claro que não.
-Engraçado, no quarto parecia que vocês não se conheciam, ele até leu seu crachá de identificação.
-Bella eu não fui assim sempre -ela disse fazendo gestos para seu corpo e seu rosto- quando eu era do ensino médio eu era diferente, usava aparelho e quando entrei na faculdade começei a usar óculos. Mas eu não usava aqueles feios, meu aparelho era bonito e descreto e meus óculos eram para leitura, pois eu lia durante a noite por conta do estudo e isso afetou minha visão, contudo eu mudei, hoje sou uma mulher deferente da garota da faculdade, mais madura e equilibrada.
-Mas ainda apaixonada. -complementei- Você era uma nerd.
-Não. -ela disse rindo da minha piada- Como eu disse meu aparelho era diferente, ele era todo transparente e meus óculos sempre foram os mais bonitos de toda a escola e eu só usava as melhores roupas.
-Então qual era o problema?
-Ele não me amava.
-Ou não sabia.
-É. -ela disse estacionando o carro na garagem da minha casa-
-O que importa é que agora ele sabe, então ele pode te conquistar.
-Não estou certa disso.
-Claro que está, só não quer adimitir para si mesma, afinal mentir para si mesma e depois contar a verdade após anos... Deve ser difícil para você.
-Vamos encerrar o assunto, ok? Vamos viajar daqui a dois dias e temos muito o que fazer, não vamos nos preocupar com isso.
-Sabe que não vou parar.
-É, eu sei. -ela suspirou derrotada-
Saímos do carro e ela o trancou, fomos correndo até a entrada pois agora a chuva estava mais forte, sentir a chuva estava bom então eu parei, titia não pareceu perceber que parei e continuou correndo. A chuva era confortante, fria com um cenário triste assim como eu estava, as gotas geladas não me causaram calafrios como faziam com minha tia.
Agora eu me lembrava do meu primeiro banho de chuva, eu era pequena e eu estava brincando no gramado do jardimda minha casa, papai e mamãe estavam na mesa do jardim tomando café da tarde, eu tinha uma boneca chamada Lucy, eu a amava, eramos grandes amigas, estava sol e começou a chover. Marcia ordenou os empregados a tirarem a comida do jardim e papai veio me pegar, mas assim que ele veio eu começei a correr, ele ria correndo atrás de mim e eu dava gritos e risadas altas, eu chamava mamãe e ela ria de nós dois, eu a chamei e ela veio correndo até mim com os braços abertos, eu a abraçei e ela me levantou e me rodou. Parecia tudo uma fantasia, mas era a minha realidade. Nós brincamos até a chuva parar. Era uma chuva de verão. Depois disso eles me banharam e me poram para dormir. Ele eram tão bons comigo..
Lágrimas começaram a rolar em meu rosto e eu me abaixei no chão tocando a grama, a chuva aumentava eu já estava encharcada, mas não saia daquela posição, eu lembrava de cada detalhe daquele dia, o sorriso doce e angelical de mamãe, a pureza, a alegria, o confoto que seus olhos transmitiam, a rizada de papai, seus olhos alegres e carinhosos, o abraço deles que era como abraçar as melhores coisas do mundo.
-Bella! -titia gritou e veio até mim. Ela viu meus olhos vermelhos de tanto chorar e me levantou, abraçou meus ombros e me levou até a entrada de casa- Quando peguei as chaves e fui falar com você, você não tinha me respondido, me virei e você estava aqui, caida ao chão com as mãos na grama e os olhos fitando algo além da grama.
-Eu estava lembrando deles, do meu banho de chuva de verão, do primeiro.
-Oh, seu pai me contou sobre esse dia, ele e sua mãe se divertiram muito com você, foi quando você tinha 5 anos, foi alguns meses antes da sua viajem a Atlanta.
-Acho que dessa parte eu não me lembro.
-É, você ainda era um bebê, não deve se lembrar de tudo, só de algumas partes.
Nós entramos em casa, estava tudo vazio assim como imaginei que estivesse, era estranho ver minha casa vazia daquele jeito. Sem os livros na prateleira da entrada, sem a cozinha cheia de coisas no lado direito, sem nada na sala do lado esquerdo, só a escada da sala de entrada que dava direto para o segundo andar estava lá, na cozinha só havia o balcão no centro e os móveios colados a parede e chão. Lá em cima só deveria ter minhas roupas, se minha tia já não tivesse providenciado tirá-las de lá.
-Venha, vamos ao seu quarto pegar uma toalha para você tomar banho. -ela disse fechando a porta, ainda me segurando pelo ombro-
Fomos até meu quarto, estava como imaginei, só minhas roupas acima de uns edredons forrados no chão. Ela já tinha tirado tudo. Tinha várias caixas do lado esquerdo do meu quarto, quase todas estavam preenchidas, algumas não estavam prontas, mas minhas coisas estavam ao lado para serem empacotadas.
Tia Lu me soltou e foi procurar uma toalha, eu olhava meu quarto quase vazio, ele parecia imenso sem minhas coisas o preenchendo.
-Aqui querida, tome sua toalha e este sabonete. Vou separar sua roupa e depois a levo para o banheiro, tome um banho rápido pois temos que arrumar suas coisas, depois temos que ir na minha casa pegar uma caixa e depois vamos nos seus avós.
-Não vai tomar um banho também? -disse olhando para seu cabelo e suas roupas molhadas-
-Sim, logo depois de você.
-Tudo bem. -disse pegando a toalha e o sabonete e indo em direção ao banheiro-
Fui para o banheiro e encostei a porta, o banheiro estava vazio também, não havia nada nos armários e não havia mais os três sabonetes líquidos ao lado da pia, o espelho pregado na parede ainda estava lá, o que era de se esperar. Tirei minha roupa e quando fui entrar no box uma corrente de ar fria atingiu minhas costas nua causando-me arrepios, fechei a pequena janela e entrei no box.
-Aqui está sua roupa, trouce shampoo e condicionador.
-Obrigada tia, me dê aqui por favor! -disse abrindo a porta do box e estendendo a mão, ela me deu e fechei a porta-
-De nada querida, mas seja rápida, não se esqueça que temos que fazer mais coisas hoje.
-Tudo bem.
Comecei o banho, peguei o shampoo e lavei meu cabelo, enchaguei e depois passei o condicionador, encha-guei e depois passei o sabonete, depois me enchaguei, abri a porta do box e me sequei, amarrei minha toalha no meu cabelo e fui me vestir, titia tinha pego uma regata branca, cardigã branco, uma calça jeans skinnig e minha sapatilha preta de laçinho, era uma das minhas sapatilhas favoritas.
Continua...

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